segunda-feira, 15 de março de 2010

OS TRAFICANTES E O LOVE

Uma reportagem do ultimo Fantástico me chamou atenção. Vagner Love, jogador do Flamengo, foi filmado participando de uma festa num morro carioca e foi escoltado por traficantes armados. O repórter o indaga sobre o fato dele está participando de uma festa dessas. Para ele, é tudo natural. Mas é claro que é natural! Onde ele nasceu? Onde ele foi criado? De onde é a maioria de suas referências? Love estava, apenas, interagindo com as pessoas que pensam como ele, que vivem como ele viveu um dia, que entendem seu linguajar etc. Se ele tivesse abandonado suas raízes seria criticado por isso. Seria chamado de metido, marrento, dentre outros. Não quero dizer que uma festa organizada por traficantes é uma coisa correta, mas pior ainda é o governo não poder agir nesses lugares. Se as festas existem em seus redutos, a comunidade vai participar mesmo. É assim desde a época em que os bicheiros dominavam o Rio de Janeiro, patrocinavam as escolas de samba e mudaram a cara do carnaval brasileiro.
Mas agora quero perguntar o seguinte: será que Love seria colocado na parede se ele fosse visto andando com políticos corruptos e que roubam milhões da sociedade brasileira? Se tivesse participado de um festival de música clássica com José Roberto Arruda, ele seria malhado?
Como sempre, o simples fato de alguém está na mídia o torna importante. Não acredito que Vagner Love seja formador de opinião. Duvido que alguma criança comece a participar de festa com traficantes porque seu ídolo do futebol também participa. Contextos sociais muito mais relevantes fazem com que crianças e adolescentes participem das Festas do Pó pelo Brasil afora.
Deixem Vagner Love participar da suas festas com seus semelhantes. A única coisa que o diferencia daquela realidade é o fato de ter um salário exorbitante e chegar à favela de carro importado. Deixemos a Sociedade do Espetáculo de lado e vamos nos preocupar com coisas mais relevantes: desarmar esses traficantes. Se eles não tivessem acesso a armas que perfuram carros blindados e derrubam helicópteros, matérias como essa não seriam produzidas.

2 comentários:

  1. Vi a reportagem e, confesso, não acho bacana que ele [LOVE] participe de festas com traficantes, mesmo porque ser traficante, antes de ser só um estilo ou uma forma de lidar com a vida, tem consequência sérias, né?
    Contudo, acho também que há coisas mais importantes a serem ditas, veiculadas pela mídia, mas a mídia sem o espetáculo, e aqui fala um leigo, se descaracterizaria, e com isso não quero dizer que não deva ser repensada essa espetacularização.
    Há festas do pó, há corruptos políticos (o que as vezes parece pleonasmo), mas há também as figuras de destaque que servem, sim, de exemplo a muita gente, que é o caso do Love, por exemplo.
    Negar as raízes é um problema que seria, concordo, apontado pela mídia. Mas participar de tais festas é naturalizar que o morro é o lugar do tráfico. Eu acho que no morro seja mesmo comum lidar com a realidade de traficantes em suas inteligentes operações, mas é um perigoso vínculo que se cria... o final dessa associação é dizer que morro e tráfico são indecomponíveis.
    Que ele esteja sempre com os seus semelhantes de origem, e que o morro sirva de palco a esse encontro, mas ir a festas como aquelas, para mim, é posicionar-se de forma favorável ao que lá ocorre, e nem tudo deve servir de lugar de reconhecimento... Vejo um incentivo... Será que quem nasceu no morro tem, necessariamente, de achar que o tráfico é algo bacana e digno de comemoração?
    Hum... acho que falei algumas bobagens,mas era o que eu queria falar.

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  2. Bobagem não... meu intuito é esse mesmo. Quero sentir a opnião dos outro sobre a minha. Dá pra existir uma sociedade sem espetacularização da mída sim. Bastaria qu os meios de comunicação em massa não se importassem apenas com o factual.
    Se a mão do governo oficial não chega na comunidade, ela vai naturalizar a ação do táfico. "repare, a multidão precisa de alguem mais alto a lhe guiar".
    Pense que esses traficantes foram seus amigos de infância. Mesmo que não concorde com suas atitudes ele pode manter relacionamento com eles. Vamos deixar de lado essa idéia que pessoas "boas" não andam com pessoas "más". Essa hitória dos porcos e do farelo é furada... rsrsrsrs. Não duvido que ele tenha sido apoiado por traficantes no início da carreira. Podem ter ajudado a pegar ônibus pra ir treinar, comprado chuteiras etc. Nessas comunidades a lealdade é tida como lei e desses valores dá trabalho de se livrar.
    A comunidade não está comemorando o tráfico. O tráfico está se comemorando, mas as pessoas que estão lá, pelo menos uma grande parte, está lá para se divertir. Tem quem usa droga, tem quem não usa. Tem quem está armado, tem quem não está... tem gente de todo tipo. Não podemos colocar todos no mesmo saco.
    Fico feliz com seus comentários... pode ficar a vontade, até pra descer o kct... rsrsrsr

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