terça-feira, 27 de abril de 2010

Ministro Temporão recomenda sexo para combater a hipertensão?


Devo confessar que esse anúncio, sem a interrogação no final, me atraiu bastante. Se eu não tenho hipertensão agora, não terei jamais, uma vez que sexo é um santo remédio, pensei. Bom, vamos sair do campo das piadinhas e ir direto ao que interessa.
Tive a oportunidade de assitir a um trecho da entrevista do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, no Jornal da Globo ontem à noite e fiquei chocado com ela. Não com a declaração citada no título, mas com a manipulação descarada da seguinte informação: “Mexa-se, mude seu padrão alimentar, faça sexo com segurança, dance, caminhe, se divirta mais. Vá ao médico para saber se sua pressão é normal”, aconselha Temporão. Você percebeu algo de anormal nesta frase para causar tanto burburinho? Se percebeu, me ajude, pois eu não percebi!
A mídia não cansa de se colocar na posição de baluarte na derrubada do tabu sobre o sexo. Novelas, jornais, programas etc. apreciam falar do sexo como uma coisa natural em todas suas expressões. Porque então dar um valor tão grande a uma simples recomendação do ministro? Quem não sabe que o sexo faz bem a saúde?! Se não como "exercício aeróbico", mas como poderoso desestressante? O Sexo é tão importante e natural quanto qualquer uma das outras recomendações e está mais presente na vida dos brasileiros do que qualquer uma das outras dicas.
Qual o problema então?! Sem dúvidas, os jornalistas também não veem problema nenhum na declaração do ministro. O que fez com que eles manipulassem de uma forma tão escancarada essa notícia foi o simples fato de torná-lá vendável. Nada mais. Mas acredito que tenha faltado um pouco mais de sensibilidade dos editores, pois deram mais importância a essa declaração que a verdadeira notícia: o dia nacional de combate a hipertensão.
Parabéns, ministro Temporão pela feliz declaração que, além de colocar o sexo como uma coisa corriqueira e cotidiana, lembrou de recomendar que ele deve ser feito com segurança.

domingo, 11 de abril de 2010

OS RAPAZES DE LUZIÂNIA-GO


Neste fim de semana chegou ao fim um mistério que intrigou os brasileiros: o sumiço de 6 rapazes na cidade de Luziânia-Go. Depois de muita especulação a Polícia Federal identificou um pedreiro como responsável pelos desaparecimentos. Preso, ele confessou os crimes e indicou onde estavam os corpos dos jovens. O que espanta muita gente é o fato dele ter ficado preso por 4 anos por pedofilia e ter sido solto por bom comportamento 1 semana antes de cometer o primeiro assassinato. Ele abordava e atraía os rapazes oferecendo dinheiro, depois revelava seus interesses sexuais e os matava a pauladas.
A nossa sociedade, que conecta todo o mundo e nos dá a sensação de proximidade das pessoas, fez com que velhos valores e ensinamentos fossem deixados para trás e passassem a ser substituídos por uma busca incansável por dinheiro.
Esse crime revela, não somente o problema na legislação que coloca psicopatas de volta ao convívio social, mas o fato de uma antiga regra, que era ensinada para as crianças desde a mais tenra idade, ter sido esquecida: a de não falar com estranhos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

CONSTATAÇÕES DO TCU


Achei interessantíssima a constatação do TCU (Tibunal de Contas da União). Ele percebeu que, nos ultimos 2 anos, a Bahia recebeu 62% de toda a verba nacional direcionada a prevenção de desastres naturais. Essa verba é repassada pelo Ministério da Integração Nacional que, até a semana passada, estava sob o comando de Geddel Vieira Lima. É por isso que a Bahia tem, tem, tem muito do que se orgulhar...

sábado, 3 de abril de 2010

POEMA DO MENINO JESUS. (Fernando Pessoa)

No meio dia de fim de primavera eu tive um sonho como uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer a terra. Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez menino a correr e a rolar-se pela erva, a arrancar flores para deitar fora e a rir de modo a ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais para fingir de segunda pessoa da trindade.
Um dia que Deus estava dormindo e o Espírito Santo andava a voar, ele foi até a caixa dos milagres e roubou três: com o primeiro ele fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido; com o segundo, ele se criou eternamente humano e menino e com o terceiro, ele criou um cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois ele fugiu para o sol e desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje ele vive na minha aldeia comigo. É uma criança bonita, de riso natural; limpa o nariz com o braço direito; chapinha nas poças d’água; colhe as flores, gosta delas e esquece; atira pedras aos burros; colhe as frutas nos pomares e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam e toda gente acha graça, ele corre atrás das raparigas que levam bilhas na cabeça e levanta-lhe as saias.
A mim ele me ensinou tudo. Ele me aponta todas as cores que há nas flores; me mostra como as pedras são engraçadas quando a gente as tem nas mãos e olha devagar para elas.
Damo-nos tão bem um com o outro, na companhia de tudo que nunca pensamos um do outro. Vivemos juntos os dois com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos: as cinco pedrinhas no degrau da porta de casa; graves, como convém a um deus e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o universo e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair no chão.
Depois eu lhe conto estórias das coisas só dos homens. Ele sorri porque tudo é incrível; ele ri dos reis e dos que não são reis e tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios.
Depois ele adormece e eu o levo no colo para dentro da minha casa, deito-o na minha cama despindo-o lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo materno, até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes ele acorda de noite e brinca com meus sonhos. Viramos de pernas pro ar, põe um por cima do outro e bate palmas sozinho, sorrindo para o meu sonho.
Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu, no colo e leva-me para dentro da tua casa, deita-me na tua cama, despe o meu ser cansado e humano; conta-me estórias, caso eu acorde, para eu tornar a adormecer e dá-me sonhos teus para eu brincar.