
Neste sábado uma notícia internacional me deixou perplexo. Nos EUA está correndo uma grande polêmica por conta da possível construção de uma mesquita próxima ao Ground Zero, local onde ficavam as torres gêmeas atacadas em 11 de setembro de 2001.
Apesar do apoio do presidente Obama, cerca de 68% da população novaiorquina não apoia o empreendimento, alegando que fere a lembrança dos quase 3.ooo mortos no atentado terrorista.
Obama discursou na Casa Branca durante a quebra do jejun do Ramadã, período sagrado para os muçulmanos, e defendeu a liberdade de culto, liberdade esta que é garantida por lei.
O que me deixa embasbacado é a falta de leitura de mundo da massa americana. Bom, não tenho acesso ao formato como o assunto é tratado nos EUA, mas é uma falta de bom senso não perceber que os atentados foram cometidos por uma minoria extremista. A maioria dos adeptos ao islã não compactua com o que os terroristas fizeram, mas, mesmo assim, a maioria dos muçulmanos sofrem algum tipo de preconceito. É difícil de entender como uma sociedade dita tão evoluída não consegue ver além do que aparece na mídia e fica presa a esterótipos. A alienação desta sociedade não para de me surpreender. Para muitos deles o local se tornou sagrado. Entendo a dor das famílias, mas essa sensibilidade ficou muito exarcebada e ultrapassou os limites do sentimental. Já se trata de um assunto social, político e econômico. Acho importante lembrar que foram sentimentos extremados como esses que deram origem a figuras temíveis como Adolf Hitler. Lembremos também que foram os americanos que treinaram e armaram os afegãos na luta contra um antigo inimigo, ainda na década de 80: os socialistas de Moscou. Não é uma grande ironia?
Já pensou se essa moda pega? A igreja católica não poderia funcionar em nenhuma parte do mundo, já que seria uma falta de respeito para com as pessoas que foram mortas pela inquisição durante a idade média.
Espero, siceramente, que esta mesquita seja erguida e que a sociedade americana perceba que o mundo não gira em tono de seus interesses únicos e que existe vida e liberdade após os atentados. Nada se pode fazer pelos que já se foram, mas muito ainda pode ser feito em prol dos que ainda vivem e que precisam ter seus direitos e dignidade respeitados.
