Esta noite, para mim, foi horrível! Não dormi quase nada pensando numa aula que tive ontem à noite na disciplina de Estética da Comunicação com a professora Élica Paiva. Discutimos, mais uma vez, sobre a arte e seus conceitos. Devo confessar que não tenho absorvido muito deste conteúdo. A professora é uma simpatia, tem conhecimento do assunto, leva um bom material para fazermos análises, mas eu não saio do lugar.
Perdoem meu “ogrismo” mas não vejo muito sentido nesses conceitos de arte. Vimos o seu caráter mimético em relação à natureza nos primeiros estudos sobre o assunto, ainda por Aristóteles e Platão; o caráter religioso e a representação divina, sem a qual, a arte não se concretizava; que ela era a mais pura forma de expressão humana; depois que ela não era produzida pelo intelecto nem pela fantasia; mais tarde que a arte é a representação de um Espírito Absoluto... foram muitos os conceitos, mas ainda não vi funcionalidade neles. Depois de tantas “viagens” percebemos que o Belo pode não ser bonito. Que a arte pode ser feia, apesar de uma de suas peculiaridades ser o fato de agradar aos olhos de quem a contempla...
Dizem que uma das características mais marcantes das obras de arte é seu caráter criador, inovador, vanguardista... mas eu indago: O que há de criador, inovador e vanguardista em um mictório no meio de um museu? Ah!, mas o mictório deixou de ter seu uso funcional e por isso passou a ser arte. - podem rebater. Será que se ele tivesse sido esquecido no meio do museu, depois de uma reforma, por um pedreiro distraído, seria arte? Acredito que não. Estamos acostumados a considerar arte o que nos dizem que é arte. Será que nós, pobres mortais e pouco entendidos no assunto, seriamos capazes de dizer que uma obra de Monet, de Van Gogh, de Rondin, de Tarcila do Amaral são obras primas sem que ninguém já tivesse dito isso antes? Será?! Quem dita esses valores são os grandes críticos de arte. São eles que dizem o que vale e o que não vale e nós embarcamos nessas idéias pré-fabricadas. Os críticos detêm um grande número de obras de autores consagrados em seu acervo e é claro que eles têm todo interesse em valoriza-las no mercado.
Para mim, arte não se define nem se conceitua. Se sente! O que é belo e/ou tocante para mim, pode ser indiferente a outras pessoas. Para se entender uma obra deve-se entender o contexto histórico em que ela foi produzida, é necessário que se tenha um conhecimento prévio para se interpretar. Sem isso ela é uma obra vazia. Simplesmente cores misturadas ou ferros distorcidos, que podem ser interessantes ou bonitas, mas vazia e, assim sendo, não é arte. Portanto, essa questão de ser criadora, vanguardista etc não me diz absolutamente nada porque se eu vejo, toco, sinto, interpreto e me sinto diferente após a contemplação, para mim, estarei diante de uma obra de arte, ainda que não seja prima.
quinta-feira, 18 de março de 2010
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Me sinto orgulhosa de ver como está nascendo este jornalista. Ler seus textos é saborear um pouco de ironia e criticidade, mesmo em estágio inicial, pois sei que me breve apreciarei mais Arte e primor nas produções, as quais não só falam do social, mas também de subjetivo. Outro dia em uma das minhas aulas, um aluno declarou uma frase que achei bem oprotuna para vida e, especilamente, para esta sua nova trajetória: "Seja criança sem ser infantil, seja adulto e maduro sem ser caduco". Bem, é assim que vejo seus textos. Criança por está se ousando a revelar dizeres reflexivos e também adestrando-se na Arte da Escrita (como dizia meu grande mestre Iderval Miranda: Colocando a cara na tela, literalmente)e adulto e maduro, por conseguir apresentar sábias doses de não ditos, os quais, infelizmente, não são mais tão lidos em nossos cotidiano.
ResponderExcluirSobre a arte e suas definições eu poderia dizer bem pouco, e o pouco que eu poderia, bem, eu não vou dizer.
ResponderExcluirAcho que tem algo também interessante que atravessa o teu texto: classificamos conforme nos ensinaram a classificar; contemplamos de acordo com o que fora dito como digno de contemplação.
Aí fico me perguntando até que ponto é privilégio da arte tal pré-determinação para que a apreciemos. Querer ocupar uma posição de liberdade em relação aos próprios gostos, acho, é querer voltar a ser o centro do universo, a estar no topo da escala evolutiva, é querer ser senhor de si, estas que, respectivamente, formam as chamas três feridas narcísicas, feridas, porque foram derrubadas uma a uma à medida que se chaminhava...
Uma outra questão: até que ponto tem algo de novo na arte, ou em qualquer outra coisa? Estou com uma leitura muito fresca na mente de um teórico de nome Henri Bergson. E ele trava uma disputa contra aqueles que davam ao homem um poder incrível, inclusive este de criar representações, de modo que o universo, na verdade, partiria do homem.
Para Bergson, o universo se constitui de imagens, e o homem é apenas mais uma imagem, assim com o seu cérebro. Ao que capta do universo, nada o cérebro acrescenta que não tenha já sido fornecido pelo próprio universo. E amarrado nessa funcionalidade de apenas comunicar uma imagem ( o próprio corpo) às demais imagens, que criação seria esta que caracterizaria o homem como senhor maior, ou que acréscimo ou ineditismo seria este o da arte?
Enfim... mais dúvidas que respostas...
mas se não fosse o homem pra dar algum sentido a essas representações pré-existentes no universo, elas existiriam? Creio que sem nossa interpretação essas imagens não teriam razão de ser.
ResponderExcluirPenso que se um indivíduo classifica algo como uma obra de arte (seja ela um quadro de Picasso ou uma visão cotidiana do crepúsculo) é porque ele se identificou com aquela imagem ou com aquele som ou com aquela textura ao qual seu tato teve acesso. Isso é óbvio mas ao mesmo tempo não é, e de simples não tem nada.
ResponderExcluirO que leva alguém a achar sublime uma obra de Van Gogh e outra pessoa a achar os traços desse pintor rudimentares e distantes do ele (aquele que avalia) entende por arte? É preciso que se compreenda, nesse tipo de análise, que o indivíduo está inserido em um zeitgeist; essa palavra alemã que significa o "espírito da época", ou seja, todo um conjunto de crenças mais ou menos compartilhadas pela sociedade em um dado período da história. Assim, se quisermos entender o Nazismo, por exemplo, enquanto movimento político e social, é preciso que se faça um esforço em entender como a sociedade alemã se configurava naquele período de pós-guerra e quais variáveis mais estavam envolvidas nesse zeitgeist.
Da mesma forma, se quisermos compreender a arte contemporânea, é mister nos situarmos tenporalmente naquilo que parece ser relevante para determinado grupo social. Mas é claro que não é só isso. Pode-se dizer que aquilo que chamamos indivíduo (o ser formado pela biologia e pelo meio social, mas que ao mesmo tempo é único e irredutível a essas variáveis) ou pessoa (o indivíduo em relação e contato social) não é um observador passivo do mundo que se apresenta para dele. Diante do aprendizado ao qual tem acesso ao longo da sua vida ele não apenas capta informações mas as transforma a todo momento. Por isso o cognitivismo, uma das filosofias que norteiam o saber em psicologia, ainda faz uso do paradigma S -> O -> R. Essa "equação" demonstra que diante de um estímulo (S) o organismo (O) reage diante dele não de modo automático, porque essa estimulação perpassa pelo organismo (O) que é influenciado pelas crenças e pelos saberes que o indivíduo já tem, e a partir daí uma resposta (R) é emitida. Isso demonstra que ao ver um quadro de Van Gogh o indivíduo ressignifica essas informações baseando-se em suas próprias características pessoais, que apesar de serem também biológicas e culturais, não se reduzem a nenhuma destas. Esse tipo de saber foi também trazido desde a psicologia da gestalt (outra corrente que norteia o conhecimento psicológico) quando os teóricos estudavam e buscavam explicações para o fato de que diante de uma mesma estimulação os indivíduos a interpretavam de modos diferentes, atribuindo significados diversos para imagens. Por isso diante de imagens ambíguas e sobrepostas, uma criança pode ver apenas um grupo de golfinhos e adultos podem ver um casal fazendo sexo. Ou seja, essas respostas dependem de a que tipo de estimulação e aprendizado os indivíduos foram submetidos ao longo da vida.
A psicanálise (outra corrente que abriu novos caminhos para a psicologia) também fala dessas percepções variadas quando introduz o conceito de "projeção". Diante de uma estimulação, o indivíduo projeta conteúdos inconscientes que, segundo a teoria, definem como ela será reconhecido e significada.
Os estudos norteados pelo Behaviorismo (outra corrente da psicologia) demonstram que em um quadro de privação, de sexo por exemplo, o indivíduo tenha maior tendência a enxergar objetos que sugiram relações sexuais, mesmo que a estimulação em nada tenha a ver com essa temática.
ResponderExcluirDepois dessa viagem teórica, o que tenho a dizer é que ao ser emitido um juízo de valor em relação a arte, este juízo deve ser sempre entendido à luz da cultura e seu respectivo zeitgeist, bem como do indivíduo (com suas crenças, aspirações, medos) e também, óbvio, à luz do mercado que está por detrás da indústria das artes, que têm todo o interesse em manipular determinadas variáveis de modo a conseguir que algo seja valorizado ou desvalorizado culturalmente, com a finalidade de obter lucros; não podemos esquecer disso, já que vivemos (felizmente ou não) em uma sociedade guiada pela lógica capitalista. Mas é necessário entender que o indivíduo também participa desse processo e por mais de vanguarda que ele seja, o chamado revolucionário e à frente do seu tempo, ele não está inteiramente "descolado" das tendências construídas pela sociedade, apesar de não ser passivo diante dela. Justamente por isso discordo quando alguém se refere a uma pessoa revolucionária, ou uma pessoa que usa roupas diferentes do comum, como "descolada"... porque entendo que não existe pessoa sem sociedade tampouco sociedade sem pessoa; então, o que seria um indivíduo "descolado"?
Hum... não tenho como debater sobre essas correntes da psicologia das quais Deguinha falou...
ResponderExcluirAgora sobre implicar com o termo "descolado", apesar de ter sentido o que foi dito, com isso eu não concordo muito. É como implicar com o "denegrir", entende, Dega? Descolado pode não haver no sentido que Deguinha disse, mas não é sobre estar deslocado da sociedade que se está falando quando se classifica alguém como descolado. As palavras significam de forma diversa... acho que essa constante re-significação deve ser considerada. A língua é mutante... concordam com isso?
Agora voltando ao que Léo disse, as imagens não teriam razão de ser sem que houvesse os homems para interpretá-las... Acho que não é bem assim. Volto para Bergson pra dizer que há presença sem que haja representação. As coisas existem independente dos homens. As coisas só existem quando as nomeamos, quando as encontramos? Se aquilo que faz com que nos comuniquemos com o mundo for extraído, isto é, se o nosso sistema nervoso, por exemplo, sofresse algum dano e não mais fosse possível dialogar com o mundo, seria correto dizer que o mundo deixa de existir só porque eu, mais uma imagem num cabedal infinito de outras imagens, não posso mais me dar conta da existência delas?
Acho que ainda queremos ocupar um lugar de importância que não ocupamos na verdade... na verdade que eu hoje acredito.
Talvez a utilidade/funcionalidade da arte seja essa: fazer o ser humano parar mesmo que por alguns minutos para pensar sobre a sua essência e a essência das coisas e mais, fazê-lo lembrar que não há palavras nem teorias suficientes para comunicar o movimento interior de sensações que ela [a arte]pode provocar.
ResponderExcluirRapaz, nem me fale dessa disciplina. Meu estômago revirou só de ler esse texto... rsrsrsrs!!! Estética da Comunicação é uma viagemm!!!
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