Antes de fazer esta postagem no blog, quero deixar claro que não tenho nada contra nenhuma religião nem contra a fé. Meu intuito é apenas fazer indagações que, acredito, afligem a cabeça de muitas pessoas, entretanto somos “proibidos” de levantar tais questionamentos. Confesso que não é fácil pensar dessa forma. Ser crente é mais fácil que ser cético. É muito mais fácil crer no intangível, incalculável, inalcançável, no improvável do que tentar entender por que as coisas são como são.
Não sou estudioso de nenhuma religião. Aliás, quase ninguém é, mas a maioria se sente no direito de falar o que quiser sobre suas crenças ou das crenças que lhe ensinaram.
Não sou ateu. Creio numa força superior que rege os acontecimentos, mas que não interfere neles. Acredito numa força que nos dá “N” possibilidades, mas que não nos pune de forma arbitrária, afinal de contas uma escolha sempre acarreta uma renuncia e esta renuncia, muitas vezes, já pune o autor das escolhas.
Espero que as pessoas, que por ventura leiam meus comentários, possam manter o respeito às opiniões alheias. Com certeza desagradarei a maioria das pessoas, mas se nem J.C. teria agradado, quem sou eu...
Conta a bíblia, que a tábua com os 10 Mandamentos de Deus teria sido entregue a Moisés no monte Sinai no Egito. O interessante é que eles estavam escritos, mas o povo não sabia ler. Então, desde o princípio, a religião que se baseia nestes mandamentos teve de acreditar na leitura de poucos para difusão das leis numa cultura oral.
Eles foram muito importantes na nossa concepção de sociedade, uma vez que determinaram regras de boa convivência e serviram de modelo para algumas de nossas leis contemporâneas. Entretanto eles determinam pecados que, ao meu ver, não existem.
Vou fazer uma análise de cada um deles:
1°) AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS - adoro este mandamento! Deus, que não tinha muito que fazer percebeu que estava só. A natureza se auto regulava. Não existiam bons nem maus e, com isso, sua existência era um tédio. Não havia ninguém para adorar suas maravilhas. Foi com esse intuito que ele criou o homem: para adorar as suas criações e a ele mesmo. Desculpem-me a ousadia, mas esse Deus, para mim, é um cara extremamente vaidoso e egocêntrico. Se ele se basta, para que temos que adorá-lo todo o tempo? Isso é coisa de gente insegura e que precisa de auto-afirmação e não atitude de um ser altruísta.
2°) NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO – se tem uma coisa que nós fazemos o tempo todo é isto. Chamar a Deus não é mais um clamor. Passou a ser uma simples interjeição. Quem nunca falou: “Ai, meu Deus do céu!” quando se espantou com algo? Ou “Deus é mais!” numa situação de repulsa a algo ou alguém? Esses são apenas alguns exemplos de como seu santo nome anda na boca de todos. Se isso for pecado, nos vemos no inferno.
3°) GUARDAR DOMINGOS E FESTAS DE GUARDA – mais uma vez Deus se mostra vaidoso. Como se já não bastasse termos que agradecer todos os dias pela nossa existência, ainda temos que reservar um dia inteiro para adorá-lo. Dizem que foi o dia em que ele descansou após criar a Terra inteira. Ora, um Deus se cansa?!
4°) HONRAR PAI E MÃE – para mim esse mandamento é o mais fácil de respeitar. Meus pais são exemplos de conduta. São pessoas maravilhosas e que sempre querem meu bem e o de meus irmãos. Honrar pais assim é simples e natural. Mas o que falar de pais que espancam seus filhos durante toda a vida? Merecem ser honrados pelo simples fato de terem concebido aquela alma moribunda? Às vezes, a concepção foi acidental e indesejada. O indivíduo sofre horrores na mão desses pais e ainda tem que respeitá-los?! Faça-me um favor!!! Semana passada um pai armou para assassinar o próprio filho por conta de um prêmio de loteria... Acho que não preciso falar mais nada, não é?!
5°) NÃO MATAR - Acredito que esse foi um dos mais importantes legados dos 10 mandamentos. Se matar um ao outro não fosse visto como pecado o mundo não seria o que é hoje.
6°) NÃO PECAR CONTRA A CASTIDADE - esse é o máximo!!! Vamos, quase todos, para o inferno sem escala no purgatório. Eu não me arrependo de nada!!! Só após a invenção do monoteísmo o sexo se tornou tabu. Acredito que pelo fato de ser concorrente de Deus. Se algo tão terreno é capaz de proporcionar tanto prazer, dentre outras benesses, deve ser divino.
7°) NÃO ROUBAR – se roubar fosse permitido, boa parte dos tesouros financeiros das religiões estariam perdidos. Mas acredito no valor deste mandamento que dá sustentação a propriedade privada e ao capitalismo.
8°) NÃO LEVANTAR FALSO TESTEMUNHO – se mentir não fosse pecado o mundo não teria chegado ao patamar de conhecimento que existe hoje. Os princípios científicos se baseiam nessa premissa: buscar a verdade.
9°) NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO – desde que o próximo não esteja tão próximo, como diz a piadinha infame. Primeiro, desejar não é tomar. Ninguém manda nos seus pensamentos e desejos mais primários; segundo, ninguém toma ninguém de ninguém. Sempre estamos juntos de outras pessoas por algum interesse. Seja afetivo, sexual ou econômico. Se algo fora do nosso relacionamento parece mais interessante, tendemos a ir ao encontro dele; terceiro, as mulheres podem cobiçar o marido alheio?!
10°) NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS – esse é uma regra que leva ao cumprimento de outros 4. Se você não cobiça o alheio, não mata, não rouba, não mente e não trai. É só um fechamento e uma reiteração de toda a história.
Bom, é isso! Espero que estes meus pensamentos possam gerar debates bastante prazerosos e frutíferos para todos, pelo menos para mim serão.

Hum... eu gosto.
ResponderExcluirSobre uma questão, um comentário sem grandes pretensões: "o sexo só se torna tabu com o surgimento do monoteísmo...". Eu li algumas coisas sobre o sexo em povos anteriores aos nossos, e já nos gregos a questão era problematizada. É certo que não do modo como é hoje, porque, por exemplo, não havia essa bipartição hétero-homossexualidade. No entanto, é um equívoco pensar que essas questões do sexo enquanto ato não fossem motivos de curiosidade moral desde lá. Por exemplo, há uma necessidade, isto na Grécia, de que o homem (indivíduo) tivesse domínio do seu próprio corpo para que então pudesse dominar os outros. Uma questão política, portanto, envolvia a coisa do sexo. Sendo necessária essa temperaça, os excessos eram condenáveis, seja como homem seja com mulheres. É um equívoco também dizer, e muita gente o faz, que na Grécia homem como homem era permitido e tudo bem. Pelo contrário, homem com homem era, sim, muito mal visto; o aceitável, digamos assim, se dava na relação entre homem e rapaz, porque havia ali uma questão de transmissão de saber. Nessa relação de homem e rapaz o controle de si também era um grande problema. Ao rapaz cabia o dever de não ceder simplesmente; caberia a ele, quando, enfim, cedesse ao homem, dominar seu próprio corpo para que houvesse apenas o prazer do homem, o que quer dizer que ao rapaz o gozo não era exatamente sexual, mas intelectual por via desse aprendizado compartilhado por vias da carne. Essa relação homem-rapaz era um ritual de passagem e preparatório para que o rapaz, quando homem, fosse capaz de controlar a si mesmo. Ao homem não poderia caber o papel de ser passivo, sendo este dado ao rapaz. O homem, na Grécia, teria de ser ativo na política e em todas as relações, de modo que a passividade sexual quando praticada por homens, tornava-os desqualificados para cargos importantes e de respeito.
O sexo desregrado, então, era condenável porque mostrava o quanto o indivíduo desregrado, por assim dizer, era escravo do seu próprio desejo. Como um escravo poderia dominar os outros?
Bem, com isso quero dizer que acho um pouco excessivo dizer que o sexo virou tabu com o monoteísmo, ou com uma corrente de fé qualquer... Se houve um momento exato, ele n pôde, penso, ser datado. Daí então a importância de se pensar em gênese e não em início.